Outro dia eu resolvi me aventurar. Abri uma caixa e peguei cada um dos pequenos bastões coloridos que haviam dentro dela. A primeira reação foi estranhar a secura daqueles bastões, e a poeira colorida que deixavam nas mãos. Misteriosamente, quando eu esfreguei um desses bastões sobre um papel preto que estava do lado, aquela poeira se transformou em traços, linhas e manchas. Percebi que eles tinham um poder mágico, o de transformar os traços e linhas em borrões ao passar dos dedos. E esses borrões, a depender da forma como eram unidos, se transformavam em formas e faziam sentido para mim. Era como se tivessem vontade própria. Decidi ouvi-los e deixei que passeassem pelo papel. E enfim entendi a verdadeira magia dos bastões: eles capturavam minhas memórias e visão e as transportavam para a superfície do papel. Uma dança entre as mãos e os bastões, com o papel como salão de baile. O preço a pagar pela dança? Mãos e dedos empoeirados. Muito. Ofereci aos bastões a imagem de um dos frangos ...