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O café do dia (#3)

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Esses dias chegou aqui em casa um "carregamento" de tangerinas — acho que uns 7 kg de fruta. Não são iguais as tangerinas da feira, aquelas poncãs grandes e quadradonas, com casca grossa e fácil de arrancar com as mãos. Parecem mais laranjas achatadas, têm uma casca lisa, grudada gananciosamente aos gomos, e cerca de trezentas sementes por gomo. São horríveis de descascar, mas são deliciosas — e valem o esforço. Com toda essa abundância de tangerinas, o primeiro pensamento que veio foi "o que fazer com todas essas frutas antes que estraguem?" Ano passado, durante a época de tangerinas, consegui desidratar umas cascas para fazer  london fog , até postei aqui a receita , mas tirar as cascas das tangerinas deste ano sem desperdiçar os preciosos óleos essenciais — que é o segredo por trás da mágica — é bem mais complicado e achei que não valeria a pena.  Aí lembrei dos cafés que eu fazia nos tempos de cafeteira Nespresso, com suco de limão, laranja e o que mais viesse d...

O café do dia (#2)

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A primeira vez que tomei um café com cardamomo foi numa boutique da Nespresso, acho que em 2016, quando eu ainda era fissurado em café em cápsula — aquelas coisinhas práticas que te dão café em menos de um minuto, mas acabam ocultando todas as outras realidades possíveis com café, essa que é a verdade. Entrar numa loja da Nespresso é ser recebido com iluminação indireta, cheiro de café no ar e atendimento simpático que sempre te oferece café espresso feito na hora (às vezes até dois); eles sabem vender o produto caro deles e eu os invejo. Num daqueles dias de 2016 eu fui para comprar algumas humildes caixas com 10 cápsulas e estavam servindo macchiato com cardamomo. Me senti um monarca ibérico durante uma audiência real enquanto Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral apresentavam as mercadorias trazidas a muito custo das Índias. Cardamomo era uma especiaria difícil de encontrar e absurdamente cara. Para minha sorte, vendia cardamomo no CADEG, comprei em bagas e em pó – sabe-se lá...

O café do dia (#1)

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Primeiramente, Feliz Ano Novo! Eu estou no meio da loucura de trabalho — produzir um livro do praticamente zero demora, mas é recompensador quando se está com o produto final (o livro) em mãos. Time is money. Chega de balela, ao assunto de hoje: café  — como não podia deixar de ser. Hoje fiz um "pingado" com cravo e canela: a quantidade usual de café coado , (eu uso gourmet 3♥, mas pode ser qualquer café do seu gosto, não vou julgar),  cravo ralado  (na verdade só o cabinho dele, ralado num daqueles raladores minúsculos e baratos), e  canela ralada na hora. Para arrematar,  leite , que eu coloquei pela lateral, quase encostando na lateral da xícara, para reduzir o splash e fazer o leite ir direto para o fundo. Por isso ele não aparece na foto. O segredo está na física: líquidos frios tendem a descer, enquanto líquidos quentes tendem a subir quando estão numa mistura. É assim que se faz aquelas bebidas multicamadas chiques que aparecem na re...

明けましておめでとうございます

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Carnet de croquis d'artiste

2025 foi um ano e finalmente está acabando. Oficialmente estamos no limbo temporal que separa o Natal/Saturnalia/Festivus do Ano Novo Solar. Também é época para as famosas retrospectivas que todo mundo adora fazer para se gabar. Não é o meu caso, por mais que pareça. Eu só queria mesmo é compartilhar alguns das ilustrações que fiz desde março, quando fiz esse caderno do vídeo. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Renato Fernandes (@renato.indd)

Soldadinho-do-araripe

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Mais um passarinho para o caderno de ilustrações. Esse é o soldadinho-do-araripe ( Antilophia bokermanni ), umas das aves mais raras e ameaçadas do Brasil,. A população do soldadinho-do-araripe foi estimada em 250 indivíduos (em 2004), e o habitat da espécie é  extremamente limitado: É a área em vermelho claro no sul do Ceará.

A visita da Anfisbena

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Hoje apareceu uma anfisbena ( Amphisbaena carvalhoi ) aqui em casa, entrou por debaixo do portão da garagem. E eu tratei de capturar e registrar a visita ilustre. A bichinha se mostrou bastante irritada por ter sido capturada. Até arrumei uma minhoca pra ver se ela queria um petisco, mas ignorou solenemente o lanche. A anfisbena pouco antes de ser recepcionada. Comparação injusta com uma minhoca que também estava fugindo da chuva. Detalhe dos olhinhos de micro-miçanga. Essa não foi a primeira anfisbena a aparecer por aqui. A primeira apareceu mês passado e conseguiu entrar na sala e assustar todo mundo, e hoje mora num dos canteiros da horta. As anfisbenas, popularmente conhecidas como cobras-de-duas-cabeças (por causa do formato da cauda) são répteis comumente confundidas com cobras-cegas (essas são anfíbios), mas não são nem cobras nem lagartos, pertencendo a uma classe própria de répteis sem membros que usam a cabeça pra escavar túneis no solo e comer insetos desavisados. Ap...

Golden Luke Retriever

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Esse é o Luke, o golden retriever (que eu sempre chamo de Labrador por alguma razão) de uma conhecida.  Lápis de cor Faber-Castell Polychromos sobre papel Hahnemühle Nostalgie 190g/m².   A técnica que eu uso para retratos maiores é traçar uma grade sobre o papel, cada quadrado tem 3 cm de lado. Também faço isso com a imagem original, usando o Adobe Illustrator. Aí é usar as linhas como referência para os contornos maiores, delimitando e definindo as formas gerais, o posicionamento correto dos elementos (olhos, orelhas, boca e nariz, cabeça, ombro perna e pé). Normalmente levo algumas horas para concluir essa parte. Fiz assim. A imagem ficou muito clara porque não posso pesar no lápis sob risco de não conseguir apagar depois ou de borrar tudo. Depois é colorir tudo, que é a parte demorada do processo. Dependendo do estado de espírito, de compromissos externos e outros fatores, posso levar de 8 horas a um bocado de dias, fazendo sempre em etapas e começando pelos olhos (gosto de...

Touché

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    Dentro de uma mansão francesa que esteve lacrada por mais de um século, exploradores descobriram uma extraordinária coleção de rãs empalhadas. Esses simpáticos anfíbios estavam posicionados em elaboradas cenas que imitavam humanos — tocando instrumentos, frequentando a escola, recebendo visitas e a maravilhosa cena de duelo da imagem deste post — exibindo a arte excêntrica popular na França do século XIX. Cada época tem seus memes. A coleção provavelmente pertencia a um aristocrata rico ou a um naturalista fascinado por exibições antropomórficas. Congeladas no tempo, as rãs permaneceram perfeitamente preservadas, oferecendo um raro vislumbre da cultura da curiosidade da era vitoriana, na qual a taxidermia era tanto uma busca científica quanto uma forma lúdica de contar histórias.

Tuli

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Sim, também faço retratos de gatos.